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| Mindset: A Nova Psicologia do Sucesso, de Carol S. Dweck |
O livro Mindset: A Nova Psicologia do Sucesso, de Carol S. Dweck, trata como nossas crenças pessoais moldam profundamente nossos desejos e a forma como buscamos alcançar nossos objetivos. A autora apresenta dois modelos mentais, são eles o mindset fixo, que é baseado na ideia de que inteligência e o caráter são imutáveis, levando à necessidade constante de provar valor e ao medo de falhar, e o mindset de crescimento, que entende que qualidades podem ser desenvolvidas por meio de esforço, repetição, prática e aprendizado contínuo, transformando erros em oportunidades. Posso fazer analogia com exercícios de musculação, que devem ser repetidos periodicamente para melhora do condicionamento fisco. Essa obra dá até pra dialogar com acadêmicos de outras áreas, como a Educação Física, por exemplo, e a autora analisa como essas mentalidades se refletem em diferentes áreas da vida, como na educação, como citei um exemplo no esporte, nos negócios e relacionamentos, destacando que o sucesso está ligado à capacidade de aprender (que depende de praticar) e evoluir. Por fim, a obra reforça que o modelo mental não é rígido, não é definitivo e pode ser modificado, propondo uma jornada de mudança que envolve reconhecer o próprio mindset fixo, identificar seus gatilhos, dar um nome a essa persona e educá-la para aceitar objetivos de crescimento e enfrentar novos desafios.
A obra divide os indivíduos em dois modelos mentais básicos:
Mindset Fixo, que é a crença de que nossas qualidades básicas, como inteligência, personalidade e caráter moral, são características imutáveis, gravadas em pedra. Sob essa perspectiva, a pessoa sente uma necessidade constante de provar seu valor, inteligência e talento a si mesma e aos outros em todas as situações. Indivíduos com esse modelo mental tendem a evitar ou temer desafios por receio de revelar fraquezas, enxergam o esforço como algo negativo (que indica falta de capacidade) e encaram o fracasso não apenas como um acontecimento, mas como uma identidade ("sou um fracassado").
Mindset de Crescimento, que se baseia na crença de que nossas qualidades fundamentais são maleáveis e podem ser desenvolvidas e cultivadas por meio do esforço pessoal, “da prática”, da experiência e do aprendizado contínuo. Esse modelo gera uma paixão pelo aprendizado e pelo desenvolvimento. Em vez de se desesperarem diante de contrariedades, as pessoas com esse mindset as enfrentam diretamente, veem os erros como oportunidades para aprender e acreditam que o esforço é justamente o que ativa a capacidade e a transforma em realização.
Essas dinâmicas foram observadas pela autora em laboratório por meio do estudo de ondas cerebrais na Universidade Columbia, revelando que pessoas de mindset fixo prestam atenção rigorosa apenas a feedbacks que julgam sua capacidade atual, ignorando informações que poderiam ajudá-las a aprender. Já aquelas com mindset de crescimento demonstram intensa atividade cerebral e interesse no aprendizado, priorizando a aquisição de novos conhecimentos. O impacto dessas mentalidades também se manifesta de forma marcante no desenvolvimento de crianças. Em pesquisas com centenas de estudantes, Carol Dweck provou o perigo de elogiar a inteligência ou aptidão nata, o que empurra os jovens para o mindset fixo, tornando-os receosos de aceitar novos desafios para não perderem o rótulo de "inteligentes" e levando quase 40% deles a mentirem sobre seus resultados para esconder imperfeições. Em contrapartida, elogiar o esforço estimula o mindset de crescimento, fazendo com que a grande maioria prefira tarefas desafiadoras onde possa aprender, melhorando ativamente o desempenho e a resiliência emocional.
A autora analisa detalhadamente como esses dois modelos se manifestam e impactam diferentes áreas de nossa vida, como por exemplo na Escola e na Educação, pois os discentes com mindset fixo costumam focar em parecer inteligentes, buscando tarefas mais seguras e de menor esforço, enquanto alunos com mindset de crescimento se engajam no processo de aprendizagem, dominando novas estratégias e aumentando sua inteligência ativamente.
Nos Esporte desmistifica-se a ideia do "talento nato" absoluto. A autora mostra que grandes lendas como Michael Jordan, Muhammad Ali e Wilma Rudolph não alcançaram o topo por mero dom físico, mas por possuírem a "mentalidade de um campeão", caracterizada por disciplina severa, trabalho duro e resiliência mental.
Nos Negócios e na Liderança o livro compara líderes de mindset fixo (que usam a empresa para inflar seu ego e provar superioridade, muitas vezes levando-a à ruína, como Lee Iacocca) com líderes de mindset de crescimento que criam culturas colaborativas de aprendizado e focam no desenvolvimento de si mesmos e de suas equipes (como Jack Welch e Lou Gerstner).
Nos Relacionamentos explica-se que as pessoas com mindset fixo esperam que o amor e a compatibilidade funcionem automaticamente, sem esforço, vendo problemas como falhas de caráter irremediáveis. No mindset de crescimento, entende-se que as relações, os parceiros e si mesmo mudam, exigindo comunicação constante e esforço mútuo.
Por fim, a obra enfatiza que o modelo mental é composto por crenças e, portanto, pode ser modificado, ela propõe uma jornada de mudança estruturada em quatro passos, o primeiro consiste em abraçar o seu mindset fixo (visto que todos temos elementos de ambos), identificar o que desencadeia esse modelo mental fixo (como críticas, pressões ou fracassos), dar um nome a essa "persona" de mindset fixo e, por fim, educá-la ativamente para que ela aceite os objetivos de crescimento e enfrente novos desafios. Ta achando fácil a tarefa? rsrs Bora lá!
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| Lou Gerstner |
A reestruturação da IBM sob a liderança de Lou Gerstner, iniciada em 1993, tornou-se um dos exemplos mais marcantes de aplicação do mindset de crescimento no mundo corporativo. Naquele momento, a empresa enfrentava uma crise quase fatal, marcada por uma cultura interna de condescendência, elitismo e busca por status pessoal, que inviabilizava o trabalho em equipe e alimentava disputas internas constantes. Me lembra muito a atuação em planos de saúde... Além disso, a IBM havia se afastado de seus clientes, que se mostravam insatisfeitos com preços elevados, burocracia e falta de suporte adequado para integrar sistemas de computadores. Diante desse cenário, Gerstner foi convidado para assumir o cargo de CEO, motivado pelo sucesso que já havia alcançado em outras organizações.
Com uma visão voltada para o aprendizado contínuo e para o desenvolvimento das pessoas, Gerstner promoveu mudanças profundas na cultura corporativa. Logo nos primeiros dias, estabeleceu comunicação direta com os funcionários e valorizou sua participação, dissolveu a comissão de gerência para combater o elitismo e passou a reunir pessoas competentes independentemente de seus cargos. Incentivou o trabalho em equipe, eliminando os que fomentavam intrigas políticas e recompensando os que colaboravam com colegas, além de alinhar os objetivos individuais ao desempenho global da empresa. Também redefiniu o foco da IBM, exigindo execução rigorosa e acompanhamento pós-venda, colocando os clientes no centro das decisões e reduzindo drasticamente os preços de hardware e software para atender às suas demandas.
Apesar do ceticismo inicial de Wall Street, as estratégias de Gerstner salvaram a IBM e devolveram sua relevância no mercado. Quando deixou o comando em 2002, o valor das ações havia crescido 800% e a empresa havia recuperado a liderança mundial em serviços de tecnologia da informação, hardware, software corporativo e chips customizados de alto desempenho, retomando seu papel como referência em inovação.
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https://www.conexasaude.com.br/psicologia-clinica/andre-luiz-possato


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